#50 Entrevista com um coordenador de pós graduação em comunicação

Thiago Costa conta um pouco dos desafios das faculdades e como escolher uma boa pós graduação

Em comemoração de um ano da minha newsletter, teremos quatro edições de entrevistas com profissionais de diferentes áreas do mercado de comunicação. Se você ainda não é inscrito na minha newsletter, deixe seu e-mail abaixo.

A primeira entrevista foi com um profissional de mídia, confira aqui.

A segunda entrevista foi com uma profissional de planejamento e conteúdo, confira aqui.

A terceira entrevista é com Thiago Costa, coordenador da pós graduação em Comunicação e Marketing Digital e do novo curso de Gestão de Negócios e Carreiras de Figuras Públicas na FAAP. Possui mais de 20 anos de experiência no mercado de comunicação, é jornalista e mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital pela PUC-SP e especialista em marketing pela própria FAAP. Também é head de Pesquisa e Entretenimento da agência evcom e pesquisador de cultura pop.

Eu: Um dos grandes desafios das universidades é conseguir aplicar as novidades e tendências do mercado acelerado da comunicação no ensino dos cursos em uma agilidade que acompanhe esses movimentos. Na sua visão enquanto docente e coordenador de cursos, como que a universidade pode atender essas demandas, envolvendo desde grade do ensino até perfil dos professores?

Thiago: Temos uma situação que precisa ser analisada com calma nesse momento de aceleração que vivemos do mercado. O primeiro ponto é ter paciência para entender o que é uma moda passageira, uma tendência que nasceu e morreu muito rápido e o que são mudanças estruturais do setor.

Porque quando falamos de cursos de graduação, precisamos dar bases, falar dessas estruturas.

Outro ponto, ainda falando de graduação, é que temos uma legislação muito firme que regula este mercado. Então não podemos mudar o currículo a todo momento.

Como conciliar essas situações com as novidades? Mantendo um canal aberto e extremamente próximo entre os professores, para que possamos navegar dentro dos limites que nos são impostos. Então, numa disciplina de planejamento, podemos falar de metodologias ágeis, por exemplo. Não deixamos de falar de planejamento, mas acrescentamos algo mais atual. 

No caso da FAAP, além dessas alterações pontuais, temos trabalhado muito com projetos integrados entre as disciplinas, trabalhando com casos e clientes reais. Isso dá aos alunos uma sensação bem próxima do que eles vão enfrentar quando estiverem no mercado de trabalho.

Já na pós-graduação, é um pouco mais fácil, natural - e também necessário - adaptar os conteúdos às novidades. Isso porque estamos falando de um tipo de curso voltado para uma aplicação mais imediata dos conhecimentos. Também temos que cumprir as resoluções do MEC, mas o professor tem mais liberdade para trazer o que está acontecendo agora no mercado. E isso é algo que eu, como coordenador, incentivo muito nos professores do meu time na pós-graduação em comunicação e marketing digital.

Eu: Temos notado de uns anos para cá uma valorização do mercado nos profissionais com mestrado ou doutorado em comunicação e áreas correlatas. Na sua opinião, como esses profissionais com diplomas stricto sensu podem agregar no nosso mercado de trabalho?

Thiago: Eu acredito que o mercado começou a perceber que era necessário ter mais embasamento nas tomadas de decisão e no desenvolvimento de estratégias. E, nesse sentido, os profissionais com uma formação acadêmica mais profunda conseguem ajudar muito.

No meu ver, isso acontece também pelo aumento da concorrência e uso mais racional das verbas por parte dos clientes. Não dá mais para chegar com uma campanha básica, jogar qualquer coisa num PPT e pedir uma verba milionária. Pesquisa, justificativas e confirmações teóricas auxiliam no entendimento e convencimento do cliente. Aí quem teve que ralar no mestrado e no doutorado, estudando muito, consegue ter mais argumentos e defender ideias com uma bela estrutura por trás.

Eu: Sabemos que o investimento em um curso de pós graduação é alto e muitas vezes o profissional acaba desistindo do curso pois não atendeu suas expectativas. Quais dicas você dá para quem está pesquisando por cursos de pós graduação? O que devem olhar, pesquisar ou buscar informações?

Thiago: A primeira coisa que o candidato precisa fazer é entender qual a sua intenção ao fazer a pós-graduação. Ele quer um conhecimento técnico específico ou ampliar sua visão de mundo e, por consequência, do mercado? Responder a essa primeira pergunta é imprescindível, porque as escolas possuem perfis muito diferentes entre si, os cursos também. E aqui entra algo não muito simples de descobrir, que é esse "jeitão" da escola.

É preciso conversar com ex-alunos, alunos atuais, professores. Ler todo o material disponível nos sites e, a partir disso, ver se aquela instituição de ensino tem o perfil desejado.

Às vezes, se a busca é por algo técnico, talvez não seja nem uma pós-graduação que ele precise. Um curso rápido, mais direto, pode ser mais assertivo.

E, na minha opinião, o mais importante: converse com a coordenação do curso antes de se matricular. Marque um horário, se possível pessoalmente (quando puder sair de casa, claro) e fale com quem comanda o curso. Nesse papo, o possível aluno já vai sentir como são as coisas por ali. E digo de ir fisicamente ao local, porque no mundo pós-pandemia, quando voltarmos a frequentar escolas, itens como o tempo de deslocamento, a infraestrutura e o clima do ambiente também farão toda diferença na escolha.

Posso falar pelos cursos que coordeno: eu falo com 100% dos candidatos antes deles se matricularem. E deixo bem claro: a FAAP é uma escola com tradição em oferecer uma sólida base teórica. Então, o curso de comunicação e marketing digital, por exemplo, não é "operacional", é estratégico. Nosso foco não está em ferramentas, mas sim no estímulo a fazer o aluno aprender a pensar e ter referências para melhores tomadas de decisão. Aí, a pessoa tem total liberdade, sabendo disso, para decidir se é isso que está buscando nesse momento. 


NOVIDADE DA SEMANA

Netflix solta, pela primeira vez, lista dos seus filmes originais mais assistidos

Acima o trailer do filme original mais visto em quatro semanas após sua estreia na Netflix, “Resgate”.

A liberação desse ranking é importante pois mostra o alcance dos conteúdos originais da plataforma, para termos até uma noção de comparação com bilheterias, por exemplo.

O ranking com os 10 filmes originais mais populares da Netflix, classificados por público total nas primeiras quatro semanas de estreia do filme na plataforma:

  • Resgate – 99 milhões

  • Bird Box – 89 milhões

  • Troco em Dobro – 85 milhões

  • Esquadrão 6 – 83 milhões

  • Mistério no Mediterrâneo – 73 milhões

  • O Irlandês – 64,2 milhões

  • Operação Fronteira – 63 milhões

  • A Missy Errada – 59 milhões

  • O Poço – 56,2 milhões

  • O Date Perfeito – 48 milhões

Vi no Brainstorm 9.